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O último semestre do ano passado foi bastante proveitoso para nós, pois pudemos expor algumas de nossas ideias e propostas, testando sua validade e explicitando – na prática - o que significa para nós “lançar um olhar humanista” sobre o mundo em que vivemos. Em 2.013, continuaremos a prestar nossa  modesta contribuição para o desenvolvimento harmônico da Sociedade, enquanto nos preparamos para  o lançamento de uma programação de atividades presenciais que corresponda às aspirações desta Associação e às suas expectativas.
Queira, por favor, acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos e aguardar a divulgação das atividades que pretendemos iniciar o mais breve possível. Enquanto isso, continue a dedicar um pouco de sua atenção a essas matérias que QUINZENALMENTE preparamos e veiculamos neste site  para você.
Durante o período de férias de nossos colaboradores – Janeiro e Fevereiro – interrompemos o desenho costumeiro desta página, para apresentar artigos de interesse permanente. Boa leitura... e lembre-se de que a partir de 1º de Março  reiniciaremos as seções habituais ( com alguma novidade)!

                                     

 

O Theatro Municipal de São Paulo é um dos mais imponentes  teatros do Brasil e um dos cartões postais da capital paulista, tanto por seu estilo arquitetônico semelhante ao dos mais importantes teatros do mundo, e claramente inspirado na Ópera de Paris, como pela sua relevância histórica, por ter sido o palco da Semana de Arte Moderna de 1922, o marco inicial do Modernismo no Brasil.
O teatro foi construído para atender o desejo da elite paulista da época, que queria que a cidade estivesse à altura dos grandes centros culturais de então, assim como promover a ópera e os concertos. Ele abriga atualmente a Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, a Orquestra Experimental de Repertório, o Coral Lírico, o Coral Paulistano e o Ballet da cidade de São Paulo. O edifício faz parte do Patrimônio Histórico do estado desde 1981, quando foi tombado pelo Condephaat.

 

 

O gosto pela música erudita já havia sido formado por influência da Corte desde o tempo de Dom Pedro I, ele próprio um musicista.  Teve depois grande impulso durante o reinado de Dom Pedro II. Vários grandes teatros foram construídos ao longo da costa e no interior do Brasil. Na cidade de São Paulo, pequenos teatros cumpriam a função de receber  companhias internacionais que se apresentavam num circuito já bem conhecido: Manaus, no Teatro Amazonas; Belém, no Teatro da Paz; Rio de Janeiro, no Teatro Municipal da cidade. Casas de espetáculo paulistanas  como o Teatro Provisório Nacional, o Teatro Politeama, o Teatro Minerva, o Teatro Apolo, assim como o melhor deles, o Teatro São José, participavam deste circuito.

 

 

Iniciam-se, no ano de 1895, as discussões sobre a construção de um teatro especificamente para ópera, com um projeto enviado para a Câmara Municipal que tramita sem sucesso. Em 1898, o Teatro São José foi destruído por um incêndio e a Câmara Municipal cria um incentivo para a construção de um novo teatro, mediante a isenção de impostos. O empreendimento seria iniciado quando o prazo para isenção de impostos foi fixado em 50 anos. Nesse momento, o Escritório Técnico de Ramos de Azevedo apresenta a proposta de construção. Como outra proposta já havia sido apresentada por Cláudio Rossi, o prefeito Antônio Prado promove a aproximação dele com   Ramos de Azevedo.

 

 

Assim, com projeto de Cláudio Rossi, desenhos de Domiziano Rossi e construção pelo Escritório Técnico de Ramos de Azevedo, as obras foram iniciadas em 1903 e finalizadas em 1911. O local escolhido para a construção foi o Morro do Chá, que já abrigava o Novo Teatro São José. O estilo arquitetônico é o eclético, em voga na Europa desde a segunda metade do século XIX. São combinados os estilos Renascentista, Barroco do“setecentos” e o Art Nouveau, sendo o último o estilo da época. A inauguração estava marcada para o dia 11 de setembro, mas devido ao atraso na chegada dos cenários da companhia Titta Ruffo em São Paulo, pois vinham de tournée pela Argentina, foi adiada para 12 de setembro. Houve uma grande aglomeração de pessoas no entorno do teatro, muitas delas atraídas pela iluminação com energia elétrica vinda de seu interior. A soirée foi iniciada com um trecho da obra “O Guarani”, de Carlos Gomes, devido à pressão da crítica paulistana. Seguiu-se a encenação da ópera “Hamlet”, de Ambroise Thomas, com o barítono Titta Ruffo no papel principal. A companhia apresentou outras óperas durante a primeira temporada.

 

 

No período de 1912 a 1926, o teatro apresentou 88 óperas de 41 compositores, sendo dezessete italianos, dez franceses, oito brasileiros, quatro alemães e dois russos, totalizando 270 espetáculos. Mas o fato mais marcante do teatro no período e talvez em toda a sua existência não foi uma ópera e sim um evento que assustaria e indignaria grande parte dos paulistanos na época: a Semana de Arte Moderna.

De 11 a 18 de fevereiro, o Teatro Municipal sediou um acontecimento que veio a ser conhecido como a “Semana de Arte Moderna de 1922”. Durante sete dias, ocorreu uma exposição de artes plásticas e, nas noites dos dias 13, 15 e 17, houve apresentações de música e poesia, bem como palestras sobre a “modernidade” no País e no mundo.
O Modernismo pregava a ruptura de todo e qualquer valor artístico que existira até o momento, propondo uma abordagem totalmente nova da pintura, da literatura, da poesia e dos outros tipos de arte. A "Semana" contou com nomes já consagrados, como Graça Aranha e outros ainda desconhecidos, que se tornariam futuros expoentes do Modernismo brasileiro.

Participaram da “Semana” Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Guilherme de Almeida, Menotti Del Picchia, Di Cavalcanti, Víctor Brecheret e Heitor Villa-Lobos, entre outros. Tarsila do Amaral não participou, pois se encontrava na Europa na ocasião e só recebeu notícias do evento através de cartas, sobretudo de Anita Malfatti, amiga que a apresentaria, em meados de 1922, a Menotti, Mário e Oswald. Essas cinco personalidades passaram a se frequentar e se reunir a partir de então, se autodenominando “Grupo dos Cinco”, em que todas as novidades a respeito da Arte Moderna no mundo eram discutidas e vivenciadas.

 

Com o passar dos anos, o teatro que havia sido feito exclusivamente para a ópera, mostrou-se capaz de abrigar outros espetáculos artísticos, como - além da Semana de Arte Moderna – as performances de bailarinas como Anna Pavlova e Isadora Duncan.

 

Nas décadas seguintes, sua magnificência foi sendo ofuscada por outras construções nos arredores, que acompanhavam o crescimento de São Paulo, como, por exemplo, o Edifício Matarazzo (hoje sede da Prefeitura Municipal), além da queda de público. Na década de 50,  ocorre a primeira grande reforma, de 1952 a 1955. Ela teve por objetivo a preparação do Teatro para as comemorações do IV Centenário da cidade de São Paulo, mas por atraso nas obras, a reinauguração só aconteceu em 1955. A Sala de Espetáculos teve suas ordens demolidas e reconstruídas. Procedeu-se à retirada dos camarotes de proscênio para dar lugar ao órgão. Os ornamentos e o mobiliário foram refeitos pelo Liceu de Artes e Ofícios. O vermelho tornou-se a cor oficial da sala, bem como da tapeçaria e estofamento das poltronas e cadeiras. Houve ainda a instalação de elevadores e sistema de ar condicionado.

 

 

Com o passar dos anos, apesar de ainda gozar de grande prestígio, o Teatro Municipal, com sua programação elitista, foi perdendo a preferência, como centro de Cultura, de uma população que passou por diversas e profundas transformações ao longo do século. Assim, as apresentações do Municipal ficaram voltadas apenas para um público muito seleto.

 

 

Na década de 1980, o Teatro passou por uma segunda reforma. Essa teve como intuito modernizar os equipamentos e maquinários de palco e restaurar a fachada.  Para isso, buscou-se tamanha fidelidade ao original que a fachada foi refeita com arenito vindo da mesma mina que forneceu o material para a construção do prédio. Além disso, a cor verde foi restituída, a partir da prospecção realizada na parte interna do espaço que abriga o órgão, único a não ser alterado na reforma dos anos 50. Todo o estofamento, a tapeçaria e a pintura da sala passam então ao verde.

 

 

Atualmente, já tendo completado 100 anos, o Teatro Municipal de São Paulo é considerado um dos palcos de maior respeito no País, tendo abrigado apresentações dramáticas e musicais de grandes nomes nacionais e internacionais. Recentemente, passou por uma nova reforma na fachada e no Salão Nobre, além da reconstituição do Bar de Diana e da restauração total das pinturas parietais e de teto, que devolveram a esse espaço tradicional as características da época de sua inauguração, em 1911.

 

 

Os roteiros de visitas ao Theatro Municipal de São Paulo permitem que o grupo vivencie num momento de lazer uma situação de aprendizado, associando atividades educativas às de lazer.
Para as visitas monitoradas, serão oferecidos roteiros diversificados abordando tanto aspectos históricos e arquitetônicos, quanto spectos relacionados aos conteúdos artísticos (concertos sinfônicos, óperas e dança).
Theatro Municipal de São Paulo e Espaço Memória Votorantim
Horário: terça-feira (10h), quinta-feira (10h e 13h).
Theatro Municipal de São Paulo e Museu do Theatro Municipal de São Paulo
Horário: terça-feira (13h e 17h), quarta-feira (10h, 13h e 17h), quinta-feira (17h), sexta-feira (10h, 13h e 17h), sábados (10h, 13h), domingo (14h).
Público: individuais e grupos.
Faixa etária: a partir de 10 anos.
Informações: Tels. 3397-0382/3397-0383 (segunda a sexta-feira a partir das 10 horas)
www.teatromunicipal.sp.gov.br – link “Ação Educativa”

Todas as visitas são agendadas. Não há visitação livre.

(Na próxima quinzena, nosso assunto será o Carnaval. Até lá!)

 

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